A manhã estava cinzenta e fria. A agitação habitual da cidade impregnava a rua: carros dispersos, o ruído dos autocarros, os passos apressados de pessoas ocupadas com os seus afazeres.
Ninguém prestava atenção ao velho magro de cabelo grisalho, que caminhava lentamente pela calçada, apoiando-se em duas muletas de madeira. Cada passo era difícil para ele. Parava de vez em quando para recuperar o fôlego, e depois dava mais um pequeno passo em frente.
Entretanto, quatro jovens estavam do outro lado da rua. Cabelo curto, tatuagens nos braços e correntes pesadas no pescoço. Pareciam viver segundo as suas próprias regras e não se importavam com as consequências.
“Olha quem vem”, resmungou um deles, acenando com a cabeça para o velho.
“O avô está prestes a partilhar a sua reforma connosco”, acrescentou o outro com um sorriso trocista.
Aproximaram-se dele sem pressa e bloquearam-lhe o caminho. O velho parou e olhou para cima. Compreendeu imediatamente que aquele não era um encontro casual.
“Avô, chega de conversa fiada”, disse o mais alto, inclinando-se para mais perto. “Pegue no dinheiro.”

O VELHO BALANÇOU A CABEÇA, CONFUSO.
“Não tenho mesmo dinheiro nenhum. Juro, vou só para casa.”
Um dos arruaceiros bufou e empurrou-o com força pelo ombro.
“Não minta. Os idosos têm sempre dinheiro vivo.”
“Estou a dizer a verdade…” respondeu o velho em voz baixa, tentando manter-se apoiado nas muletas.
Mas não se importaram. Começaram a cercá-lo cada vez mais.
“Esvazia os bolsos”, sibilou outro.
O velho voltou a abanar a cabeça.
“Eu não tenho nada.”
No segundo seguinte, um deles empurrou-o com toda a força. Uma das muletas caiu-lhe da mão e o velho caiu com tudo no asfalto. O segundo caiu ao lado dele com um baque surdo.
“Vejam só como ele se desfez!” um dos bandidos riu alto.
“Talvez agora se lembre onde guarda o dinheiro”, acrescentou outro.
As pessoas à volta viram tudo. Homens, mulheres e jovens caminhavam pelo passeio. Uns abrandaram o passo, outros desviaram o olhar, outros fingiram que nada se passava. Ninguém queria lidar com quatro miúdos agressivos.
O velho tentou levantar-se. As suas mãos tremiam e o seu rosto estava contorcido de dor.
“Por favor… deixem-me em paz…” sussurrou.
Os arruaceiros voltaram a desmanchar-se na gargalhada.
“OUVIRAM? ELE AINDA NOS ESTÁ A PERGUNTAR.”
Um deles já tentava alcançar o bolso do velho.

E, nesse preciso momento, um Rolls-Royce preto e comprido parou silenciosamente no passeio. O que aconteceu a seguir paralisou toda a rua. 😲😱
O carro parecia tão caro e deslocado na rua que vários peões pararam instintivamente. A porta abriu-se lentamente.
Um homem na casa dos quarenta, vestindo um casaco escuro, saiu. Dois seguranças de porte atlético seguiam-no.
A princípio, os arruaceiros nem deram por isso. Mas quando um deles olhou para cima e viu três homens a caminhar com confiança na sua direção, o seu sorriso desapareceu.
“Deixem este homem em paz”, disse o homem calmamente.
A SUA VOZ ERA BAIXA, MAS REVIGAVA UMA CONFIANÇA INABALÁVEL.
“De acordo com a vossa etiqueta de rua, é normal atacar idosos?”, acrescentou. “Vocês são assim tão corajosos com os outros?”
Os arruaceiros entreolharam-se. Pareciam completamente diferentes agora.
“Desculpem… nós…” murmurou um deles.
“Foi um engano”, acrescentou o outro rapidamente. “Não sabíamos com quem estávamos a lidar.”
O homem olhou-os friamente.
“Peçam-lhe desculpa.”
Durante alguns segundos, ninguém se mexeu. Finalmente, o mais alto deles aproximou-se do velho desajeitadamente.
“DESCULPE, AVÔ… NÃO FOI CERTO.”
“Sim… perdoe-nos”, acrescentaram os outros.
Quando se afastaram, o homem baixou-se e ajudou o velho a levantar-se. Com cuidado, entregou-lhe as canadianas. Depois, para surpresa de todos, abraçou-o com força.
O velho olhou para ele, atónito.

“Desculpe… conhecemo-nos?”
O homem sorriu.
“Não te lembras de mim. Eras o nosso motorista do autocarro escolar.”
O VELHO FEZ UMA FRANZIDA DE OLHOS, TENTANDO RECORDAR.
“Os alunos mais velhos costumavam gozar comigo na paragem de autocarro”, continuou o homem. “Eu era pequeno, magro e muito assustado naquela altura. Empurravam-me e gozavam comigo.”
Ele fez uma pausa.
“E você desceu do autocarro e ficou entre nós. Lembra-se?”
O senhor assentiu lentamente.
“Talvez… andei neste autocarro durante muitos anos.”
“Então disseste-me uma frase”, disse o homem baixinho. “‘Nunca tenha medo de se defender e de defender os outros'”
Ele olhou-o com gratidão.
“LEMBREI-ME DESSAS PALAVRAS DURANTE TODA A MINHA VIDA. E SABE UMA COISA? A PARTIR DAQUELE MOMENTO, NUNCA MAIS TIVE MEDO.”
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