As mulheres olharam umas para as outras.
– Acham que ele está ferido? – perguntou uma delas.
O cão voltou a ladrar.
Depois correu alguns metros, parou e olhou para trás.
– Ele quer levar-nos a algum lado – disse a mais velha do grupo.
Por fim, as cinco começaram a segui-lo.
O animal correu ao longo da praia e depois desviou-se do caminho utilizado pelos turistas, seguindo em direção a uma zona mais tranquila e rochosa.
Alguns minutos depois, ouviram um fraco pedido de ajuda.
ENTRE AS ROCHAS ESTAVA DEITADO UM HOMEM JOVEM.
A perna dele estava presa entre duas grandes pedras e ele não conseguia libertar-se.
Ao lado dele encontrava-se um caiaque virado.
O telemóvel estava partido.
Por mais que gritasse por ajuda, o barulho das ondas abafava completamente a sua voz.
O cão permaneceu sentado ao lado dele durante todo aquele tempo.
Não o abandonou.
Quando viu que as mulheres tinham chegado, finalmente parou de ladrar.
UMA DAS AMIGAS LIGOU IMEDIATAMENTE PARA OS SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA.
Duas delas tentaram acalmar o homem ferido, enquanto as outras seguravam toalhas sobre ele para lhe fazer sombra.
Alguns minutos depois, chegaram os nadadores-salvadores e os paramédicos.
Libertaram cuidadosamente o homem.
Mais tarde, um dos paramédicos virou-se para as mulheres.
– Se este cão não vos tivesse encontrado, provavelmente ninguém teria reparado nele durante horas.
O homem foi levado para o hospital.
Antes de o levarem, acariciou o seu fiel cão com lágrimas nos olhos.
– SALVASTE-ME OUTRA VEZ… – SUSSURROU.
Só então as mulheres compreenderam aquilo que tinham visto antes.
As manchas vermelhas no pelo do cão não eram resultado de um ataque.
Tinham vindo do ferimento do seu dono, enquanto o cão permanecia ao lado dele e tentava desesperadamente encontrar ajuda.
No caminho de regresso a casa, nenhuma delas falou sobre o sol ou sobre a praia.
Falaram, sim, sobre como, às vezes, o ladrar mais alto é, na verdade, um pedido de socorro que pode salvar uma vida.