Karl foi forçado a fugir no dia do seu próprio casamento, e Jessica passou a vida inteira sem entender por que ele a deixou sozinha no altar. Após cinquenta anos, ela recebeu uma carta com o nome dele no envelope. Apesar do tempo, ela nunca o esqueceu, e o que ele escreveu a abalou profundamente.
— Saia dessa igreja imediatamente e nunca mais volte aqui. Você me entende, garoto? — ameaçou Hubert Pennington, o pai de Jessica, olhando para Karl com um olhar firme e frio.
Eles estavam na sacristia masculina atrás da igreja. Do outro lado do corredor, Jessica se preparava para a cerimônia, sem saber o que estava acontecendo.
— Não sou um garoto, senhor. Sou um homem adulto e amo sua filha. Não vou deixá-la. Este é o nosso dia de casamento — respondeu Karl, tentando manter a calma, embora seu coração batesse cada vez mais rápido.
— Eu nunca gostei do relacionamento de vocês e não vou deixar isso continuar — sibilou o homem mais velho. — Minha filha não se casará com alguém que vive de salário em salário. Eu tenho contatos em altos escalões e em outros círculos menos agradáveis. Posso fazer sua vida virar um inferno. Se você não sumir voluntariamente, vou forçar isso.
— Isso é uma ameaça? — perguntou Karl, se endireitando e tentando não demonstrar medo. Sabia que a família de Jessica estava ligada a pessoas influentes e perigosas.
— Eu não estou ameaçando. Eu estou fazendo promessas — respondeu Hubert friamente. — Você vai sair daqui agora, sem ser visto, e sumirá da vida da minha filha para sempre. Ou você vai se arrepender.
Ele empurrou Karl com o dedo no peito, olhou para ele com desprezo e saiu.
Karl ficou sozinho.
Não sabia o que fazer. Amava Jessica de todo o coração, mas também sabia que o pai dela era capaz de qualquer coisa. Por alguns minutos, caminhou nervosamente pela sala até tomar uma decisão. Precisava sair antes que começassem a procurá-lo.
SAIU PELA PORTA DOS FUNDOS DO MASONIC TEMPLE EM DETROIT E PEGOU UM TÁXI QUE PASSAVA.
Saiu pela porta dos fundos do Masonic Temple em Detroit e pegou um táxi que passava.
— Para onde, senhor? — perguntou o motorista.
— Para o aeroporto DTW — respondeu Karl, em voz baixa.
Olhou pela janela enquanto a cidade desaparecia lentamente atrás do vidro.
Espero que algum dia ela me perdoe, pensou.
AOS 75 ANOS, JESSICA GOSTAVA DE SENTAR NA VARANDA DE SUA CASA NO BAIRRO ROSEDALE PARK EM DETROIT, TOMANDO CHÁ E OBSERVANDO AS CRIANÇAS BRINCANDO.
Aos 75 anos, Jessica gostava de sentar na varanda de sua casa no bairro Rosedale Park em Detroit, tomando chá e observando as crianças brincando. Eram momentos tranquilos, embora quase sempre sua mente voltasse para o passado.
Nesse dia, ela mais uma vez se lembrou de seu primeiro casamento.
O único pelo qual realmente esperou.
Karl foi o amor de sua vida. Quando ela caminhava até o altar ao lado de seu pai, viu os rostos preocupados dos convidados. Karl desapareceu. Ninguém sabia por que. Esperaram por horas.
Os padrinhos foram até sua casa. Estava tudo no lugar. Mas Karl não voltou.
JESSICA CHOROU NAS ESCADAS DO TEMPLO POR MUITAS HORAS.
Jessica chorou nas escadas do templo por muitas horas. Esse deveria ser o lugar dos seus sonhos para o casamento. Sua mãe tentou consolá-la. Seu pai parecia satisfeito.
Cinco anos depois, ele a apresentou a Michael Keller, o rico filho de um amigo da família. Insistiu até que Jessica aceitasse casar-se. Logo ela teve uma filha, Cynthia.
Ela se divorciou no dia em que seu pai morreu.
Michael a traiu durante todo o casamento e se separaram com prazer. Jessica levou a filha de seis anos e se mudou para uma casa em Rosedale Park.
Nunca mais tentou reconstruir sua vida afetiva.
CYNTHIA CRESCEU, FEZ UMA CARREIRA, CASOU-SE, TAMBÉM NO MASONIC TEMPLE, E DEU A JESSICA TRÊS NETOS.
Cynthia cresceu, fez uma carreira, casou-se, também no Masonic Temple, e deu a Jessica três netos.
Foi uma vida boa, pensou Jessica, saboreando o chá.
Mas Karl nunca desapareceu do seu coração.
Foi quando ouviu a voz do carteiro:
— Bom dia, senhora Pennington!
Ela pulou, quase derramando o chá.
— Oh, você me assustou!
O carteiro riu e lhe entregou um envelope.
— Alguém escreveu isso à mão. Uma raridade.
Jessica olhou para o nome.
Karl Pittman.
Suas mãos começaram a tremer.
Ela se sentou e abriu a carta.
Querida Jessica,
Não sei se você ficará feliz em ver meu nome. Mas não passou um dia em que eu não tenha pensado em você. Seu pai me ameaçou no dia do nosso casamento. Eu era jovem e estava assustado. Fugi. Me mudei para a Califórnia sem nada.
NUNCA ME CASEI.
Nunca me casei. Nunca tive filhos. Você foi o amor da minha vida.
Se você quiser, escreva ou ligue. Eu não entendo todas essas novas tecnologias.
Karl
Jessica chorou por muito tempo.
E então sorriu.
Ela escreveu uma resposta.
Eles escreveram um para o outro por meses. Depois conversaram horas ao telefone. Um ano depois, Karl voltou para Detroit.
Eles estavam velhos.
Mas tinham um ao outro.
E isso foi o suficiente.