Fiquei paralisada, com o telefone encostado ao ouvido.
Monica chorava tanto que eu mal conseguia entender suas palavras.
— « Jane… está queimando… minhas mãos… meu rosto… eu não entendo… »
Meu coração batia em uma velocidade absurda.
Fiz apenas uma pergunta.
— « Onde você está? »
Ela me passou o nome de uma clínica que ficava a cerca de quinze minutos dali.
Peguei minhas chaves e saí imediatamente.
Durante todo o caminho, apenas um pensamento girava na minha cabeça.
Por que Monica?
Quando cheguei, encontrei-a sentada em uma sala de atendimento, com as mãos mergulhadas em água fria.
Sua pele estava vermelha.
Os médicos falavam sobre uma forte reação irritativa.
Ao me ver, ela começou a chorar ainda mais.
— « Eu não entendo o que está acontecendo comigo… »
Sentei-me ao lado dela.
— « Me diga exatamente o que você tocou hoje. »
Ela hesitou.
Então respondeu:
— « Nada fora do comum… bem… quase nada. »
Senti meu estômago se apertar.
— « O quê? »
Ela abaixou os olhos.
— « Um anel. »
O silêncio se tornou sufocante.
— « Que anel? »
Ela engoliu em seco.
— « Aquele que Thomas me mostrou esta tarde… »
O mundo pareceu perder o equilíbrio.
— « Por que meu marido mostraria um anel para você? »
Monica me olhou completamente confusa.
— « Porque ele queria saber se você iria gostar dele… »
Fiquei sem palavras.
Ela continuou:
— « Ele disse que o décimo aniversário de casamento de vocês estava se aproximando. Queria substituir sua antiga aliança, que ficou pequena depois da sua cirurgia. Ele tinha medo de escolher o modelo errado e me pediu opinião, já que eu conheço seus gostos. »
Senti as lágrimas subirem imediatamente aos meus olhos.
— « Ele… ele não estava com você? »
Ela balançou a cabeça.
— « Não. Ele foi embora quase na mesma hora para buscar sua sogra no fisioterapeuta. Eu apenas experimentei o anel por alguns segundos para ver se o tamanho parecia certo… e alguns minutos depois minhas mãos começaram a queimar. »
Meu telefone vibrou.
Thomas.
Atendi tremendo.
— « Jane? Você está com Monica? Ela está bem? Os médicos acabaram de me ligar. Eu não entendo o que aconteceu com ela… »
Eu não conseguia mais falar.
Por fim, sussurrei:
— « Fui eu… »
O silêncio tomou conta da ligação.
Contei tudo a ele.
O anel.
Meu ciúme.
O óleo de pimenta.
A armadilha.
Ele ficou em silêncio por longos segundos.
Então soltou um suspiro profundo.
— « Eu deveria ter contado para você. Eu queria fazer uma surpresa… mas esqueci que, às vezes, segredos se parecem com mentiras. »
Comecei a chorar.
Algumas horas depois, Monica já estava muito melhor.
Felizmente, a irritação não deixaria nenhuma sequela.
Pedi desculpas a ela várias e várias vezes.
No fim, ela conseguiu rir apesar de tudo.
— « Da próxima vez que seu marido preparar uma surpresa, prometa apenas que não vai transformar joias em armas químicas. »
Todos nós caímos na risada.
Até Thomas.
Algumas semanas depois, ele finalmente me deu o anel.
Não em um restaurante.
Não na frente de todo mundo.
Apenas à beira do lago onde havíamos nos conhecido.
Antes de colocá-lo no meu dedo, ele me olhou com um sorriso.
— « Desta vez, você pode tocá-lo sem perigo. »
Sorri em meio às lágrimas.
Naquele dia, entendi que a falta de confiança pode destruir em poucos minutos aquilo que o amor levou anos para construir.
Desde então, fizemos uma promessa um ao outro.
Nunca mais deixar o silêncio contar uma história em nosso lugar.