O silêncio tomou conta de toda a biblioteca.
Augusto Ferraz não conseguia mais tirar os olhos do retrato.
Então…
Ele olhou para Elena.
Por um longo momento.
Como se estivesse reencontrando um rosto que havia desaparecido há décadas.
Sua voz tremia.
— Qual é o seu nome?
— Elena Vega.
No instante em que ela pronunciou seu nome…
O bilionário vacilou.
Apoiou-se sobre a mesa.
— Vega…
Ele fechou os olhos.
Então murmurou quase para si mesmo:
— Então ela guardou meu nome em segredo até o fim…
Elena sentiu seu coração acelerar.
— O senhor conhecia minha mãe?
Ele levantou lentamente os olhos.
Eles estavam cheios de lágrimas.
— Eu nunca a esqueci.
Ele se aproximou do retrato.
Sua mão tocou delicadamente a moldura.
— Carolina era a mulher que eu amava.
Há trinta anos…
Eu deveria me casar com ela.
Mas meu pai se opôs.
Ele queria que eu me casasse com a filha de um poderoso industrial.
Ameaçou destruir a família dela se continuássemos juntos.
Carolina foi embora.
Sem nunca me contar…
Que estava esperando um filho.
A respiração de Elena parou.
— O senhor quer dizer…
Augusto finalmente olhou para ela.
— Sim…
Acredito que eu sou seu pai.
As pernas de Elena perderam as forças.
Ela se sentou lentamente na poltrona mais próxima.
Durante toda a sua vida…
Sua mãe havia repetido que um homem de negócios tinha desaparecido antes de seu nascimento.
Nunca…
Ela havia mencionado o nome dele.
Augusto abriu então uma velha gaveta trancada.
Retirou de lá uma caixa.
Dentro…
Havia dezenas de cartas.
Todas endereçadas a Carolina.
Todas devolvidas sem jamais terem sido abertas.
— Eu escrevi essas cartas durante trinta anos.
Nunca deixei de procurá-la.
Mas alguém interceptava cada uma das minhas tentativas de encontrá-la.
Ele entregou uma última carta a Elena.
Dentro…
Havia uma fotografia.
Sua mãe.
Jovem.
Sorrindo nos braços de Augusto.
No verso…
Uma simples frase escrita pela mão de Carolina.
“Se um dia nosso filho encontrar seu pai… que saiba que eu nunca deixei de amá-lo.”
As lágrimas escorreram pelo rosto de Elena.
O bilionário se aproximou lentamente.
Então perguntou com a voz quase quebrada:
— Eu sei que perdi trinta anos…
Mas você aceitaria me dar a chance de tentar ser seu pai…
Pelo resto da minha vida?