A porta fechou-se atrás do velho com um rangido pesado, e ele viu-se na prisão mais perigosa, onde os criminosos mais brutais eram encarcerados. Ali, não se faziam perguntas e ninguém acreditava nas suas palavras. Cada um estava por si.
O velho parecia completamente deslocado naquele lugar: magro, calmo, com um olhar cansado. Ninguém sabia que tinha sido ali colocado por engano. Fora incriminado por um amigo em quem confiava mais do que em qualquer outro, e então o amigo simplesmente desaparecera.
Desde os primeiros minutos que foi encarado com desprezo e frieza. Uns cochichavam, outros apenas observavam. Na prisão, sabe imediatamente com quem está a lidar — uma vítima ou alguém que é melhor deixar em paz. O velho foi imediatamente colocado na primeira categoria. Não falava com ninguém, tentando manter-se afastado de todos.
Mas durante o jantar, tudo mudou.

O velho simplesmente sentou-se a uma mesa vazia e começou a comer calmamente, ignorando os olhares à sua volta. Não sabia que ninguém tinha permissão para se sentar ali.
Aquela mesa pertencia apenas a uma pessoa. Chamavam-lhe Poder — por causa da sua força.
Todos os prisioneiros o temiam, sem exceção. Diziam que não sentia dor e não conhecia a misericórdia. Já tinha tirado a vida a dois companheiros de prisão e não tinha nada a perder. E assim, recebeu uma pena de prisão perpétua. Para ele, a prisão tornara-se a sua casa, e para os outros, um mero pano de fundo.
QUANDO O PODER CAMINHOU PARA A MESA, O SILÊNCIO FEZ-SE NA GUERRA.
“Levante-se”, disse calmamente, olhando para o velho. “Este é o meu lugar.”
O velho não levantou o olhar imediatamente. Mastigou devagar, engoliu e só então respondeu:
“Vou acabar de comer e depois levantar-me-ei. Espere alguns minutos.”
As palavras pairaram no ar como um erro irreversível e enfureceram o ameaçador prisioneiro.
“Percebeste mal”, disse, com a voz endurecida. “Levante-se imediatamente. Esta é a minha secretária.”
“Desculpe”, disse o homem mais velho com a mesma expressão calma. “O seu nome não está escrito aqui. Há lugares suficientes para todos. Há ali uma mesa livre.”
Nesse instante, alguém na mesa ao lado engasgou-se. Todos sabiam o que estava prestes a acontecer: o velho estava acabado.
MIGHT CERROU OS PUNHOS COM TANTA FORÇA QUE OS SEUS NÓS DOS DEDOS FICARAM BRANCOS. A RAIVA BRILHAVA-LHE NOS OLHOS. AGARROU VIOLENTAMENTE A BANDEJA DO VELHO E VIROU-LHE TODA A COMIDA SOBRE A CABEÇA. SOPA E PEDAÇOS DE PÃO ESCORRERAM PELOS SEUS BRAÇOS E PELA MESA.
“O jantar acabou”, sibilou entre dentes. “Agora levante-se.”
O velho ergueu a cabeça lentamente. A comida escorria-lhe pelo rosto, mas não havia medo nem pânico no seu olhar. Apenas uma calma fria.
“Já acabou?” perguntou o velho em voz baixa.
A pergunta soou tão forte que até quem não se queria intrometer sentiu a tensão.
Potęga esboçou um sorriso torto e ergueu a mão, pronto para atingir o velho em cheio na cara. Mas naquele preciso momento, algo aconteceu que aterrorizou todos os que estavam na prisão 😯😨

E, nesse mesmo instante, tudo aconteceu muito depressa.
O VELHO AFASTOU-SE COM UM PASSO, AGARROU-LHE A MÃO E, COM UM MOVIMENTO PRECISO, DESEQUILIBROU O SEU AGRESSOR. O CORPO ENORME CAIU COM FORÇA SOBRE A MESA.
Um instante antes, todos tinham visto o velho indefeso, e agora — um homem que até os guardas temiam jazia no chão.
Mas não terminou aí.
O velho levantou-se, deu um passo em frente e, calmamente, sem raiva desnecessária, mas com imensa precisão e força, desferiu dois golpes curtos. Não com fúria, não com gritos — como alguém que sabia exatamente o que estava a fazer.
Potęga não se voltou a levantar. O silêncio reinava na sala. Ninguém se mexeu. O velho limpou a cara com a manga como se nada de anormal tivesse acontecido e disse baixinho:
“Eu disse que acabaria de comer e depois levantar-me-ia.”
Voltou a sentar-se e calmamente começou a comer o que restava. Passados alguns segundos, alguém não resistiu e perguntou em voz baixa:
“Quem é você, afinal?”
O VELHO HOUVE UMA PAUSA, DEPOIS SORRIU LEVEMENTE, MAS NÃO HAVIA ALEGRIA NAQUELE SORRISO.
“Eu era campeão mundial de boxe”.
Disse-o como se estivesse a falar de algo muito distante e sem importância.
Mais tarde, descobriu-se que era essa a causa do seu infortúnio. Este “amigo” usou o seu passado para o incriminar e depois desapareceu, deixando o velho lá.

A partir desse dia, mais ninguém voltou àquela mesa.
E mais ninguém foi visitar o velho.