Estava a viajar para visitar os meus pais e esperava por este dia há quase um ano. Não nos víamos há meses, por isso tudo o que sonhava era sentar-me em silêncio no avião, fechar os olhos e descansar um pouco. O voo deveria durar quase cinco horas, por isso já estava a imaginar como me iria acomodar e simplesmente dormir.
Mas isso é impossível quando se está rodeado de pessoas que acham que podem fazer qualquer coisa.
Mal tínhamos levantado quando senti um cheiro estranho. A princípio, não dei grande importância — pensei que talvez fosse algo na cozinha ou que alguém tivesse entornado comida. Mas o cheiro tornou-se mais forte e desagradável, até que, passado um instante, percebi que não era aquilo.
Olhei para baixo e vi um pé no meu apoio de braço. Sujo. Descalço. E era dali que vinha o fedor, dificultando a respiração.
Virei-me. Atrás de mim estava um rapaz que parecia completamente perdido. Encostou-se na poltrona e parecia achar aquilo completamente normal.
As pessoas à minha volta começaram a olhar em redor. Alguém fez uma careta de nojo, alguém murmurou algo inaudível. A atmosfera estava cada vez mais tensa.

Tentei manter a calma.
“POR FAVOR, TIRE A PERNA.”
Nem sequer olhou para mim imediatamente, como se eu tivesse interrompido algo importante.
“Não vou tirar. Estou confortável.”
Cerrei os dentes e repeti:
“Este é o meu apoio de braço.”
Ele bufou e encolheu os ombros.
“Então afaste-se. Não lhe vou tirar nada.”
Naquele momento, senti tudo dentro de mim ferver. Empurrei o pé dele delicadamente para baixo, mas um segundo depois, ele voltou a colocá-lo no lugar como se fosse algum tipo de brincadeira.
O CHEIRO FICOU AINDA MAIS INTENSO. AS PESSOAS À VOLTA COMEÇARAM A DEMONSTRAR ABERTAMENTE A SUA INSATISFAÇÃO.
“O teu pé está a cheirar muito mal”, disse eu firmemente. “Por favor, tirem-no daqui. Está a incomodar toda a gente.”
Olhou-me preguiçosamente e respondeu irritado:
“Tape o nariz. E a boca também.”
Foi aí que percebi que não adiantava falar com alguém daquela forma e que simplesmente não percebia nada para além das consequências. Assim, elaborei um plano simples, mas eficaz, para lhe dar uma lição. Eis o que fiz. 😒😧

Virei-me, fingindo acalmar-me, e carreguei no botão da hospedeira.
Quando ela se aproximou, pedi um chá quente. Um chá perfeitamente normal. Ela trouxe-o passados alguns minutos. Peguei na chávena, dei alguns goles e fiquei sentada calmamente, como se nada tivesse acontecido.
E ENTÃO, NUM MOMENTO FOFO, INCLINEI LEVEMENTE A MÃO. O CHÁ DERRAMOU. Não estava a ferver, mas estava quente o suficiente para ele reagir imediatamente.
O rapaz saltou como se se tivesse queimado, tirando o pé de imediato e começou a gritar com todo o avião.
“O que estás a fazer?!”
A hospedeira apareceu quase imediatamente. Pedi desculpa calmamente e disse que foi um acidente. Acrescentei, no entanto, que o pé dele estava no meu lugar e que já lhe tinha pedido várias vezes para o tirar.
Os passageiros à minha volta começaram a apoiar-me. Alguém disse que o cheiro era insuportável, outro confirmou que o rapaz tinha sido arrogante desde o início.
A hospedeira já não sorria. Ela explicou-lhe, com calma, mas firmeza, que tal comportamento era inaceitável e que, se ele continuasse a infringir as regras, o comandante poderia até decidir entregá-lo à polícia após a aterragem.
O rapaz calou-se imediatamente.
Alguém na cabine sorriu, depois outro. Em instantes, metade dos passageiros olhava-o com evidente irritação, e alguns até fizeram troça da situação. Ele não disse uma palavra. Durante o resto do voo, ficou sentado em silêncio, manteve os pés junto ao corpo e tentou tornar-se invisível.

E finalmente consegui recostar-me e fechar os olhos.
Por vezes, as pessoas só começam a compreender quando experimentam as consequências dos seus atos.