Fedor estava justamente descendo o último degrau quando Buján finalmente soltou sua calça.
— Está vendo? — resmungou, furioso. — Agora está satisfeito?
Naquele instante, ouviu-se um estalo agudo.
Todos levantaram a cabeça ao mesmo tempo.
A velha escada de madeira partiu-se ao meio.
No segundo seguinte, caiu inteira no chão.
Um grande pedaço de viga apodrecida também se desprendeu do telhado, caindo exatamente no lugar onde Fedor estava poucos segundos antes.
Um estrondo ensurdecedor sacudiu o quintal.
AS RISADAS CESSARAM NUM ÚNICO INSTANTE.
Zinaida deixou a caneca cair.
— Meu Deus…
Se Buján não tivesse puxado seu marido para baixo, a viga e a escada juntas o teriam derrubado daquela altura.
Fedor olhava, atônito, para a escada caída no chão.
Lentamente, virou-se para o cavalo.
Buján permanecia tranquilo, como se nada de extraordinário tivesse acontecido.
O velho fazendeiro aproximou-se dele.
ACARICIOU SUA TESTA.
— Você não é estúpido… Você salvou minha vida.
Os vizinhos observavam a cena em silêncio.
Um deles falou baixinho.
— Às vezes, os animais percebem o perigo antes de nós.
Naquele dia, ninguém mais mexeu no telhado.
No dia seguinte, trouxeram uma escada nova e contrataram profissionais para consertar a estrutura do telhado.
Quando subiram, descobriram que as vigas apodrecidas poderiam ter desabado a qualquer momento.
O PROFISSIONAL APENAS BALANÇOU A CABEÇA.
— Quem estivesse em cima disso ontem não teria tido a menor chance.
Fedor permaneceu em silêncio por muito tempo.
À noite, levou as maçãs favoritas de Buján até o estábulo.
O cavalo soltou um relincho baixo e depois esfregou delicadamente a cabeça no ombro dele.
A partir daquele dia, Fedor nunca mais o chamou de “animal estúpido”.
Porque percebeu que, naquela manhã, ele não era o mais inteligente do quintal.
Mas sim aquele cavalo fiel, que preferiu rasgar a calça de seu dono… a permitir que ele perdesse a vida para sempre.