Eu instintivamente me coloquei na frente de Lily.
Ela espiou por trás da minha perna.
Ainda de pijama.
Ainda esfregando o sono dos olhos.
O homem tirou os óculos escuros.
— Meu nome é Benjamin Hayes.
— Eu sei.
— Você é o homem do metrô.
Ele assentiu.
— Eu devo uma explicação.
— Você me deve mais do que isso.
Ele olhou na direção de Lily.
— Podemos entrar?
— Não.
Os ombros dele caíram.
— Eu entendo.
Ele lentamente levou a mão ao casaco.
Eu imediatamente me tensionei.
Em vez de uma arma…
ele tirou uma fotografia antiga.
Mostrava uma menina.
Da idade de Lily.
Com um figurino de balé.
Sorrindo.
— Minha filha.
Sua voz falhou.
— O nome dela era Emma.
Não disse nada.
— Ela morreu há seis anos.
O corredor ficou em silêncio.
— Na noite em que eu vi vocês…
— …sua filha sorriu para você exatamente da mesma forma que Emma costumava sorrir para mim.
Ele abaixou o olhar.
— Eu não estava tentando invadir sua privacidade.
— Eu só queria lembrar daquele sorriso.
Senti minha raiva amolecer…
um pouco.
— Mas por que você está aqui?
Benjamin pareceu constrangido.
— Porque depois que você me fez apagar a foto…
— eu não conseguia parar de pensar em vocês duas.
Ele olhou ao redor do nosso pequeno apartamento.
— Pedi para alguém identificar vocês.
Franzi a testa.
— Isso não é exatamente tranquilizador.
— Eu sei.
— Foi errado.
Ele assentiu na direção dos seguranças.
— Eles trabalham para mim.
— Eu não estou aqui para levar sua filha.
Um dos seguranças me entregou uma pasta.
Dentro…
havia informações sobre uma fundação beneficente.
O Fundo Infantil Emma Hayes.
Benjamin falou calmamente.
— Depois que Emma morreu…
— eu prometi que todos os anos ajudaria uma criança a continuar fazendo o que ama.
Ele olhou para Lily.
— Quando vi as sapatilhas de balé dela…
— …e suas botas de trabalho…
— eu reconheci algo.
— O quê?
— Um pai que faria qualquer sacrifício.
Abri lentamente a pasta.
Havia documentos de bolsa de estudos.
Patrocínio completo para uma academia de balé.
Figurinos.
Sapatos.
Custos de viagem.
Seguro médico.
Tudo.
Por dez anos.
Olhei para ele.
— Você nem nos conhece.
Ele sorriu com tristeza.
— Eu sei o suficiente.
— Sei que ela ama balé.
— E sei que você a ama.
Lily puxou suavemente minha manga.
— Papai?
Ajoelhei ao lado dela.
— Sim, querida?
— Isso quer dizer…
— …que eu posso continuar dançando?
Não consegui responder.
Minha garganta se fechou completamente.
Benjamin discretamente colocou a mão no bolso uma última vez.
Ele entregou algo pequeno a Lily.
Um pequeno pingente prateado de bailarina.
— Pertencia à Emma.
Lily olhou para mim.
Assenti.
Ela o segurou com cuidado.
— Vou cuidar muito bem dele.
Benjamin sorriu entre lágrimas.
— Eu sei que vai.
Antes de ir embora…
ele se virou novamente para mim.
— Eu não pedi para você arrumar as coisas dela porque alguém iria levá-la.
Ele olhou para Lily.
— Eu queria levá-la a algum lugar.
— Onde?
Ele sorriu.
— Para a academia de balé.
— Eles já reservaram uma vaga para ela.
Enquanto eles se afastavam…
Lily envolveu meus braços em volta do meu pescoço.
— Você cumpriu sua promessa, papai.
A apertei um pouco mais forte.
— Não…
sussurrei.
— Nós cumprimos.