Eu sempre fui “a gorda”. Meu namorado acabou indo embora para ficar com a minha melhor amiga. E seis meses depois, exatamente no dia do casamento deles, ele entendeu o quanto estava errado sobre mim.
Eu era “a garota gorda” que meu ex deixou pela minha melhor amiga. E então, no dia do casamento deles, a mãe dele me ligou e disse: “Você precisa vir aqui”.
Meu nome é Larkin, tenho 28 anos e durante toda a minha vida fui “a gorda”.
Por isso aprendi a ser fácil de amar.
Não doce, não fofinha. Apenas… gorda.
AQUELA DE QUEM OS PARENTES SE APROXIMAM NO DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS E FALAM EM MEIA-VOZ SOBRE O PESO DELA.
Aquela de quem os parentes se aproximam no Dia de Ação de Graças e falam em meia-voz sobre o peso dela. Aquela a quem estranhos conseguem dizer: “Você seria tão bonita se perdesse um pouco de peso”.
Então aprendi a ser fácil de amar.
Divertida, prestativa, confiável. Aquela amiga que chega primeiro para preparar tudo e sai por último porque está limpando. Aquela que lembra o que cada um pede. Já que eu não podia ser a mais bonita, decidi ser a mais útil.
Ele me pediu o número antes mesmo de a noite terminar.
Sayer me conheceu durante uma noite de quiz.
ELE ESTAVA COM OS COLEGAS DE TRABALHO, EU COM A MINHA AMIGA ABBY.
Ele estava com os colegas de trabalho, eu com a minha amiga Abby. Foi a minha equipe que venceu. Brinquei com a barba perfeitamente aparada dele. Antes que a festa terminasse, ele me pediu o número de telefone.
Foi ele quem escreveu primeiro.
“Você me acalma” – ele escreveu. “Você não é como as outras garotas. Você é real.”
Ficamos juntos quase três anos.
Falávamos sobre morar juntos, talvez um cachorro e, algum dia “no futuro”, sobre filhos.
MINHA MELHOR AMIGA MAREN ERA UMA PRESENÇA CONSTANTE EM NOSSAS VIDAS.
Minha melhor amiga Maren era uma presença constante em nossas vidas.
“Você merece alguém realmente bom.”
Nos conhecemos desde a universidade. Loira, naturalmente magra. Ela segurou minha mão no funeral do meu pai. Dormiu no meu sofá quando ataques de ansiedade não me deixavam funcionar normalmente.
Ela costumava dizer: “Você merece alguém realmente bom.”
Seis meses atrás, essa mesma garota estava na minha cama com o meu namorado.
A MÃO DELE NO QUADRIL DELA.
A mão dele no quadril dela. O cabelo dela no meu travesseiro.
Eu estava no trabalho quando meu iPad exibiu uma notificação de uma foto compartilhada. Eu e Sayer tínhamos os dispositivos sincronizados.
Cliquei.
Era o meu quarto.
Minha colcha cinza. Meu travesseiro amarelo.
SAYER E MAREN NO MEIO.
Sayer e Maren no meio. Rindo. A mão dele no quadril dela. O cabelo dela no meu travesseiro.
“Está tudo bem?”
Por um momento meu cérebro tentou me convencer de que não era verdade.
“Preciso sair” – disse para Abby, pegando minha bolsa.
“Está tudo bem?” – ela perguntou.
“NÃO” – RESPONDI E SAÍ.
“Não” – respondi e saí.
“Você tem algo para me dizer?”
Sentei no sofá e esperei.
Quando Sayer entrou no apartamento, estava cantarolando.
“Querida, você está mais cedo…”
VOCÊ TEM ALGO PARA ME DIZER?” – PERGUNTEI.
“Você tem algo para me dizer?” – perguntei.
Ele congelou, olhou para o iPad e naquele segundo entendeu.
“Eu não queria que você descobrisse desse jeito.”
Ele não negou.
Ele não entrou em pânico.
“EU NÃO QUERIA QUE VOCÊ DESCOBRISSE DESSE JEITO” – REPETIU.
“Eu não queria que você descobrisse desse jeito” – repetiu.
“É só que ela é mais o meu tipo.”
Maren ficou atrás dele.
“Eu confiava em você” – eu disse.
“Ela é mais o meu tipo” – ele respondeu. “Maren é magra. Ela é bonita.”
VOCÊ É MARAVILHOSA. DE VERDADE.
“Você é maravilhosa. De verdade. Você tem um bom coração.”
Ele não parava.
“Você é maravilhosa. De verdade. Você tem um bom coração” – disse. “Mas você não cuida de si mesma. Eu mereço alguém que combine comigo.”
Essa frase doeu mais.
Entreguei a ele uma bolsa para as coisas dele.
MAREN NÃO DISSE UMA PALAVRA.
Maren não disse uma palavra. Ficou com os braços cruzados e deixou que ele falasse.
Eu disse para ele deixar a chave no balcão.
Três meses depois eles estavam noivos.
Sentei no chão da cozinha naquele momento.
Depois de algumas semanas começaram a publicar fotos juntos.
DEPOIS DE TRÊS MESES ANUNCIARAM O NOIVADO.
Depois de três meses anunciaram o noivado.
As pessoas me enviavam capturas de tela. Silenciei metade dos contatos.
Eu odiava meu corpo.
Transformei o ódio em motivação.
Eu odiava meu corpo.
COMECEI A MUDAR A ÚNICA COISA SOBRE A QUAL EU TINHA CONTROLE.
Comecei a mudar a única coisa sobre a qual eu tinha controle.
Passo a passo eu ficava mais forte.
Inscrevi-me na academia.
No primeiro dia aguentei oito minutos na esteira. Escondi-me no banheiro e chorei.
No segundo dia voltei.
AOS POUCOS FUI GANHANDO CONDICIONAMENTO.
Aos poucos fui ganhando condicionamento. Corria. Levantava pesos. Assistia vídeos no YouTube.
Reduzi comida para viagem. Aprendi a assar legumes sem queimá-los.
Por muito tempo nada mudou.
Até que um dia meus jeans deixaram de ficar tão apertados.
Alguém no trabalho disse: “Você está ótima.”
SEIS MESES DEPOIS EU TINHA PERDIDO MUITO PESO.
Seis meses depois eu tinha perdido muito peso.
Eu me sentia bem.
Bem o suficiente para que as pessoas começassem a me notar.
Eu recebia mais atenção.
Era agradável.
E ENTÃO CHEGOU O DIA DO CASAMENTO DELES.
E então chegou o dia do casamento deles.
Por dentro eu ainda era aquela garota que foi abandonada.
Eu sabia a data pelas redes sociais.
Eu não fui convidada.
“Estou falando com Larkin?”
ÀS 10:17 O TELEFONE TOCOU.
Às 10:17 o telefone tocou.
Número desconhecido.
Atendi.
“Alô?”
“Estou falando com Larkin?” – perguntou uma mulher com voz tensa.
“Sim.”
“Aqui é a mãe de Sayer.”
Senhora Whitlock.
“O que aconteceu?” – perguntei.
“Ele está inteiro, mas você precisa vir aqui. Imediatamente. Ao Lakeview Country Club. Por favor.”
ELE ESTÁ BEM?
“Ele está bem?”
“Sim, mas venha o mais rápido possível.”
Eu deveria ter recusado.
Em vez disso peguei as chaves.
O clube ficava a quarenta minutos de mim.
O estacionamento estava cheio.
Dentro havia caos.
Cadeiras viradas. Uma toalha de mesa pendendo torta. Um arranjo quebrado, pétalas de flores e vidro no chão.
“Graças a Deus que você está aqui.”
A senhora Whitlock correu até mim.
ELA ME SEGUROU PELAS MÃOS.
Ela me segurou pelas mãos.
“Essa garota nunca o levou a sério.”
“O que aconteceu?” – perguntei.
“Uma das damas de honra, Ellie, veio até mim de manhã. Chorando. Ela me mostrou mensagens. Capturas de tela.”
Ela parecia quase satisfeita, apesar da indignação.
MAREN ESTAVA SAINDO COM OUTRO HOMEM” – DISSE.
“Maren estava saindo com outro homem” – disse.
“Sayer sabe disso?” – perguntei.
“Ele a confrontou. E ela disse que não quer estar com um homem que tem uma mãe assim, e saiu.”
“Então o casamento foi cancelado?”
Ela apertou minhas mãos.
NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA.
“Não podemos deixar que isso aconteça. Os convidados já estão aqui. Família. O chefe dele. Cancelar seria uma humilhação.”
“Então o casamento não vai acontecer” – eu disse.
“Por enquanto. Mas não precisa ser uma catástrofe.”
“Larkin, você sempre o amou.”
“Você foi leal. Boa para ele. E agora olhe para você, você está linda.”
VOCÊ E SAYER PODERIAM TER HOJE UM CASAMENTO MODESTO.
“Você e Sayer poderiam ter hoje um casamento modesto. Algo pequeno. Isso permitiria salvar a aparência.”
“Eu vim aqui para ouvir uma proposta de me casar com seu filho?”
Ela franziu a testa.
“Você sempre quis estar com ele. Não desperdice essa chance.”
Olhei ao redor da sala destruída.
VIDRO QUEBRADO. CADEIRAS VIRADAS.
Vidro quebrado. Cadeiras viradas.
E então entendi.
Eu era o plano B.
Retirei minhas mãos do aperto dela.
“Eu não sou o plano B.”
“COMO?” – PERGUNTOU.
“Como?” – perguntou.
“Eu não sou o plano B. Seu filho me traiu, me deixou e pediu minha melhor amiga em casamento. A senhora não pode me usar como bote salva-vidas.”
“Então você vai deixar que ele se humilhe?”
“Ele se humilhou sozinho” – respondi.
Virei-me e saí.
DIRIGI PARA CASA COM AS MÃOS TREMENDO E O CORAÇÃO BATENDO COMO LOUCO.
Dirigi para casa com as mãos tremendo e o coração batendo como louco.
Às 19:42 alguém bateu à porta.
Fiz chá. Sentei no sofá.
Três batidas fortes.
Verifiquei.
Sayer.
“Você está linda.”
Abri a porta.
Ele olhou para mim com surpresa.
“Uau. Você está linda.”
Não respondi.
“Foi um pesadelo” – disse. “Você sabe o que ela fez.”
“Eu sei.”
Ele se inclinou mais perto.
“Podemos consertar isso. Você e eu.”
Eu ri.
“Você está falando sério?”
Ele franziu a testa.
“Você mudou. Naquela época você era… você sabe. Não cuidava de si mesma. Mas agora? Agora você está deslumbrante. Isso salvaria minha reputação. E a sua. Você não seria aquela que eu deixei. Você seria aquela que eu escolhi.”
“Você acha que minha reputação precisa ser salva?”
“As pessoas falam.”
Eu sorri.
“Sabe o que é engraçado? Seis meses atrás talvez eu tivesse concordado.”
Não deixei que ele me interrompesse.
“Mas perdendo peso, eu ganhei confiança.”
EU JÁ ERA BOA DEMAIS PARA VOCÊ ANTES.
“Eu já era boa demais para você antes.”
Ele apertou o maxilar.
“Eu era gorda” – acrescentei. “Mas mesmo assim eu já era boa demais para você.”
Ele congelou.
“Você não foi embora porque eu não era bonita. Você foi embora porque é superficial. Maren não arruinou sua vida. Ela apenas jogou melhor o seu jogo.”
“VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO” – DISSE.
“Você não pode fazer isso comigo” – disse.
“Posso. Porque não preciso do seu amor.”
Eu o acompanhei até a porta.
Ele ainda bateu.
“Larkin. Vamos conversar.”
E EU PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA NÃO DIMINUÍ A MIM MESMA.
E eu pela primeira vez na vida não diminui a mim mesma.
Eu fui embora.
O casamento do meu ex se desfez em pó. A mãe dele tentou me transformar em uma noiva substituta. Ele veio até a minha porta.
E pela primeira vez na vida não diminui meu próprio valor.
Eu permaneci exatamente como sou.