Um motorista arrogante me encharcou de lama na faixa de pedestres… Dez minutos depois, ele empalideceu quando viu quem estava sentado à sua frente na entrevista de emprego

O homem ficou longos segundos apenas olhando para o papel.

Não restava nenhum vestígio da confiança de antes.

– Desculpe… isso é algum tipo de piada?

– Não – respondi calmamente.

– Nunca vi algo assim antes.

– Eu também nunca vi muitas coisas. Por exemplo, nunca tinha visto alguém encharcar de propósito duas vezes um desconhecido na faixa de pedestres.

O homem abaixou a cabeça.

Pela primeira vez, pareceu desconfortável.

– OLHE… EU TIVE UM DIA RUIM.

– E por isso pode humilhar os outros?

Ele não respondeu.

O silêncio ficou cada vez mais constrangedor.

Então ele olhou novamente para o contrato.

– Esta condição adicional…

– Sim.

– Está falando sério?

– TOTALMENTE.

No documento, afinal, não havia nenhuma multa em dinheiro.

Nenhuma vingança.

Nenhuma humilhação.

Algo muito mais incômodo.

O novo programa de liderança da empresa.

Todos os altos executivos eram obrigados a participar dele.

Tinham de passar dois dias inteiros por mês em abrigos para pessoas em situação de rua, cozinhas comunitárias, lares de idosos e programas de caridade.

Pessoalmente.

Sem desculpas.

O homem olhou para mim, incrédulo.

– Isso é obrigatório?

– Sim.

– Por quê?

– Porque, para nós, não é apenas a competência profissional que importa.

O homem se recostou.

VISIVELMENTE, NÃO ERA ISSO QUE ELE ESPERAVA.

– Então é por isso que quer rejeitar minha candidatura?

– Não.

Agora ele estava completamente confuso.

– Então o que está acontecendo?

– O que está acontecendo é que você é excelente profissionalmente.

Uma centelha de esperança surgiu em seus olhos.

– Mas?

– MAS, ESTA MANHÃ, VOCÊ MOSTROU COMO TRATA AS PESSOAS DAS QUAIS NÃO ESPERA NADA.

O silêncio voltou a tomar conta da sala.

Desta vez, mais longo.

Muito mais longo.

Então, inesperadamente, o homem suspirou.

– Sabe do que eu mais tenho medo?

Não respondi.

– De que você esteja dizendo a verdade.

ESSA FOI A PRIMEIRA FRASE SINCERA DELE.

Ele tirou os óculos.

Enxugou os olhos.

– Meu pai sempre dizia exatamente a mesma coisa.

Pela primeira vez, não era o empresário confiante que estava sentado diante de mim.

Mas um homem cansado.

– O que ele dizia?

– Que o verdadeiro caráter de uma pessoa se revela pela maneira como ela trata aqueles de quem não precisa de nada.

ASSENTI LENTAMENTE.

– Ele devia ser um homem sábio.

O homem sorriu amargamente.

– Era. E eu não o escuto há anos.

Conversamos por mais alguns minutos.

Não sobre o currículo.

Não sobre negócios.

Mas sobre humanidade.

Responsabilidade.

Respeito.

Quando a entrevista terminou, ele se levantou.

– Não sei se mereço este emprego.

– Isso ainda é uma questão para o futuro.

– E o que você acha?

Sorri.

– Acho que o que importa é o que você fará a partir de amanhã.

O HOMEM ASSENTIU.

Então caminhou até a porta.

Achei que fosse embora.

Mas ele se virou.

– A propósito…

– Sim?

– Gostaria de pagar a conta da lavanderia.

Pela primeira vez naquele dia, eu ri.

– JÁ NÃO SE TRATA MAIS DA ROUPA.

– Eu sei.

– Então do quê?

– De finalmente assumir a responsabilidade por alguma coisa.

Alguns meses depois, nos encontramos novamente em um dos eventos do programa de liderança.

Ele foi o primeiro a chegar.

E o último a ir embora.

Naquela noite, percebi uma coisa.

ÀS VEZES, A ENTREVISTA DE EMPREGO MAIS IMPORTANTE NÃO ACONTECE NO ESCRITÓRIO.

Mas muito antes.

Ao lado de uma poça.

Quando ninguém está olhando.

Ou pelo menos é isso que pensamos.